Aerosmith [1973]

Aerosmith - Aerosmith [1973]

Direto de Boston, Massachusetts, um crássico de uma das maiores bandas de hard-rock-blues de todos os tempos, na minha humilde opinião. Antes de mais nada: sim, estamos falando do mesmo Aerosmith careta de Jaded, I Don't Wanna Miss a Thing, Amazing e outras baladinhas meigas e insossas (se bem que tem umas até legais...). É que após mais de uma década aloprando no blues e nas drogas (na mesma proporção) os caras resolveram transformar o grupo numa mega-empresa de grande sucesso comercial, e conseguiram. Continuam por aí, de pé, faturando semanalmente mais do que eu, você e o Michael Jackson faturaríamos juntos nos próximos 50 anos.

Aerosmith das antigas

Mas é a fase obscura do Aerosmith que nos interessa. Eu adoro um "primeiro disco" e com eles não é diferente. Os caras debutaram com classe, peso e muita vontade de fazer um som massa. Receita para o sucesso: cloloque no liquidificador os timbres crus, os riffs empolgantes e os solos simples porém fantásticos de Joe Perry e Brad Whitford, a gaitinha safada e o vocal cheio de gás de Steven Tyler (irreconhecível para os fãs desantenados no passado da banda) e a cozinha pesada de Joey Kramer e Tom Hamilton. O resultado é um som sobretudo alegre, pra cima, ao mesmo tempo agressivo e temperado com muito blues, mas sem as firulas e rebuscagens que caracterizam o som do Led Zeppelin e outros grandes ingleses. Frescura, aliás, nunca foi o forte do hard norte-americano, a exemplo do Grand Funk (outra banda que terá o seu primeiro disco homenageado mais cedo ou mais tarde por aqui).

Perry na guitarra

Recomendo fortemente One Way Street (meu xodó do disco), a devastadora Mama Kin, a macho-balada Dream On, Somebody, Make It... Ah, todas! Só não esqueça de topar o volume no máximo. A propósito, o vídeo abaixo não é contemporâneo ao disco, mas vale a pena conferir essa versão acústica para One Way Street.

FAIXAS:
1. Make It [3:39]
2. Somebody [3:45]
3. Dream On [4:27]
4. One Way Street [7:00]
5. Mama Kin [4:27]
6. Write Me [4:10]
7. Monvin' Out [5:02]
8. walkin' The Dog [3:12]



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Frank Zappa • Hot Rats [1969]

Frank appa - Hot Rats

O Hot Rats foi o primeiro trabalho de Zappa sem o Mothers of Invention, banda que o acompanhava até então. Foi o primeiro disco dele que curti logo de cara - sempre sinto muita estranheza ao ouvir a maioria dos trabalhos desse maluco, mas esse disco em particular desceu redondo de primeira.

Eu considero o Hot Rats um disco de prog-jazz-rock, se tiver que classificá-lo de alguma forma. Ele é essencialmente instrumental e possui seis faixas que separo em dois grupos diferentes. O primeiro é formado por peças curtas de melodias marcantes e arranjos complexos. Aliás, só pelos arranjos, tão exóticos quanto criativos, você percebe o quanto o cara estava à frente do seu tempo. Peaches en Regalia é um exemplo disso e uma das músicas mais conhecidas de Zappa. As outras três faixas são grandes improvisações que mostram todo o potencial dos músicos (sem virtuosismo besta), principalmente o fantástico talento e originalidade de Zappa como guitarrista. Estas composições lembram muito o rock progressivo devido à sua longa duração e estruturas nada convencionais. Por outro lado, não se prendem demasiado à técnica nem se sustentam em riffs, sendo mais soltas, espontâneas como jam sessions. The Gumbo Variations e Son of Mr. Green Genes fazem parte desse time e são de pirar o cabeção. Willie the Pimp tem uma sonoridade meio blues e um solo de guitarra de sete minutos que te afunda no sofá.

Frank Zappa

Além de Zappa, o disco conta ainda com outras presenças notáveis: os vocais de Captain Beefheart em Willie the Pimp - a única faixa que não é inteiramente instrumental -, o violino elétrico de Jean-Luc Ponty e os pianos, teclados, flautas, saxofones, clarinetes, trompetes e demais sopros(!) do multinstrumentista Ian Underwood. O Hot Rats foi o primeiro disco comercial gravado em 16 canais, graças a uma gambiarra feita por um engenheiro de som. A geringonça permitiu que Ian adicionasse facilmente diversas camadas de sopro e teclado às músicas. Ele faz o papel de pelo menos oito músicos diferentes e graças a seus overdubs nos dá a impressão de que estamos diante de uma banda imensa. Os 16 canais de gravação também permitiram a criação de um efeito estéro de bateria nunca ouvido antes. Zappa também foi pioneiro na manipulação da rotação de fitas, alterando velocidades para criar timbres exclusivos de percussão, guitarra, saxofones e até mesmo baixo. Desta forma obtinha ainda na década de 60 sonoridades que só viriam a se popularizar mais de dez anos depois, com o advento de equipamentos digitais de manipulação sonora.

Se você é daqueles que gosta de música comercial, corra desse álbum. Aliás, corra de tudo que vem do Frank Zappa. Mas se você é um apreciador de música de qualidade, essa obra é mais do que recomendada. Não deixe de conferir este gênio no auge da sua criatividade, armado de sua guitarra e de seu principal instrumento musical: sua mente absolutamente livre.

FAIXAS:
1. Peaches en Regalia [3:58]
2. Willie the Pimp [9:25]
3. Son of Mr. Green Genes [8:58]
4. Little Umbrellas [3:09]
5. The Gumbo Variations [12:55]
6. It Must Be a Camel [5:15]



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Hair, o filme • Trilha Sonora Original [1979]

Hair

Dirigido por Milos Forman, o filme Hair (baseado no homônimo musical da Broadway) mostra um grupo de cabeludos bem na hora em que conhecem o caipira Claude e o introduzem ao lado hippie de Nova Iorque. Berger e seus chegados revelam um mundo totalmente novo ao jovem de Oklahoma, que está prestes a se apresentar para o exército e servir o Tio Sam no Vietnã. O formato do filme - um musical - casa perfeitamente com o cenário da contracultura na década de 60, que no embalo de riffs de guitarra e letras ácidas mandava a moral e os bons costumes à putaqueopariu. Um "finale" não menos que inesperado toca fundo até os corações mais gelados. Eu mesmo só não fui aos prantos porque tinha mais gente na sala...

Hair

Apesar da história se passar no final dos anos 60, a trilha sonora é contemporânea à produção do filme, a segunda a metade dos 70. Ou seja, prepare-se para (s)lapadas certeiras de baixos funkeados, ritmos suingadíssimos, naipes de metais divinamente orquestrados e performances vocais de cair o queixo. A influência evangélica americana nos arranjos vocais é louvável (trocadilho infame). O som é da New Pulse Jazz Band, que foi formada para esta gravação, e as vozes são de nomes como Treat Williams, Beverly D'Angelo, Nell Carter e Cheryl Barnes.

Para quem já viu e se amarra no filme, eis a melhor maneira de recordá-lo. Para quem (ainda) não viu: ouça, apaixone-se e corra pra assistir!

FAIXAS:
1. Aquarius [4:48]
2. Sodomy [1:30]
3. Donna / Hashish [4:20]
4. Colored Spade [1:34]
5. Manchester [1:58]
6. Abie Baby / Fourscore [2:44]
7. I'm Black / Ain't Got No [2:25]
8. Air [1:26]
9. Party Music [3:27]
10. My Conviction [1:47]
11. I Got Life [2:17]
12. Frank Mills [2:41]
13. Hair [2:44]
14. L.B.J. [1:08]
15. Electric Blues / Old Fashioned Melody [3:51]
16. Hare Krishna [3:20]
17. Where Do I Go? [2:49]
18. Black Boys [1:12]
19. White Boys [2:36]
20. Walking In Space [6:14]
21. Easy To Be Hard [3:40]
22. 3-5-0-0 [3:50]
23. Good Morning Starshine [2:26]
24. What A Piece Of Work Is Man [1:39]
25. Somebody To Love [4:11]
26. Don't Put It Down [2:25]
27. The Flesh Failures (Let The Sunshine In) [6:04]



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